top of page
Buscar

A família do coração...

Oi amigos, espero que estejam bem.


Hoje o post saiu em dia diferente propositalmente, porque eu gostaria de falar mais sobre a minha família do coração e fazer uma singela homenagem ao meu amigo João Henrique (o Juninho).


Eu não comentei no post "A família em choque", mas como a minha mãezinha trabalhava fora de casa, quando eu era ainda muito bebê, cerca de três meses de idade, ela precisou contratar uma pessoa para tomar conta de mim, porque precisava voltar a trabalhar.


Assim, com apenas três meses a minha mãe escolheu a Alessandra, para cuidar de mim, a quem carinhosamente eu apelidei de Maninha.


Acontece que quando eu tinha nove meses meu tio Zé, irmão da minha mãe e pai do meu primo Diego, acabou chamando a Maninha para trabalhar na loja que ele tinha na época.


Ela me contou que, apesar disto, ela e a família dela já tinham se apegado a mim, e assim a mãe da Maninha assumiu o lugar dela como minha babá.

Ela me acolheu como sua própria filha em sua casa, e criamos um laço familiar tão grande que eu a via como minha segunda mãe, inclusive a chamando de Mãe Delvita.


Além da Maninha, os outros filhos dela Kleber, Cleumer, Eber, Cleucia e Leandra eram para mim como se fossem também a minha família, e me tratavam como uma irmãzinha mais nova.


Entretanto, como os dois mais velhos (Kleber e Cleumer) já tinham casado e saído de casa, eu os via mais nos períodos de férias e festas de final do ano, e por causa disso acabei ficando mais próxima dos mais novos.


A Cleumer era casada com o Henrique, e tinham um filhinho poucos meses mais velho que eu, o João Henrique.


Eu lembro que ele foi o meu primeiro amigo da vida, sabe aquele amigo do "desde que me entendo por gente"?


Isto porque a gente não tinha nem um ano de idade e já brincávamos juntos e tínhamos muita afinidade.


O João sempre foi uma criança feliz, amorosa e carinhosa, era meu parceirinho de brincadeiras. Um tempo mais tarde nasceu a Carol, irmã dele, ela era nosso xodózinho.


Nunca esqueço os natais e as férias escolares que passamos juntos, era uma alegria só. Lembro que ficava muito ansiosa para essa época chegar e eles virem passar as férias na casa da mãe Delvita, eu contava os dias para a gente se reunir.


A gente ficava o dia inteirinho brincando no bairro, de pega-pega, esconde-esconde, bandeirinha estourada, vôlei, carrinho, boneca, andávamos de bicicleta, entre tantas outras brincadeiras.


Formamos até uma turma de férias com algumas das outras crianças da vizinhança, como o Paulinho, que é sobrinho da mãe Delvita, o Ângelo e o Roger.


Em algumas férias de final de ano, minha mãe deixava eu ir com eles para Rondonópolis - MT, passar uns semanas, o que era muito divertido.


Lembro que a gente também ia na Maninha assistir filmes de terror, era uma festa só, fazíamos brigadeiro, pipoca e alugávamos vários filmes para ficar maratonando (nem existia esse termo ainda, isso foi época pré-Netflix).


Acontece que depois que a gente foi crescendo e ficando adultos, acabamos perdendo um pouco o contato uns dos outros, acho que é um passo natural da vida.


Fomos para a faculdade, começamos cada um a namorar com os seus respectivos pares, o João casou bem cedo, e a distância física acabou dificultando nossos caminhos se cruzarem.


Começaram a nascer os netos mais novos, Alessa, Victor, Lucas, Samilla, Layane e Jamille Sendo que Samilla nos foi tirada de forma brusca e terrível, deixando um vazio enorme nos nossos corações.


Ocorre que, em dezembro de 2020, quando eu recebia o meu diagnóstico de Esclerose Múltipla, o meu amigo mais antigo João, foi diagnosticado com um tumor no cérebro.


Quando fiquei sabendo, fiquei arrasada. Não podia imaginar o tamanho da dor dele e dessa minha família do coração, porque eu não queria acreditar no que estava acontecendo com ele.


Um homem tão jovem, tão cheio de vida e de planos, ele tinha apenas 28 anos quando recebeu o diagnóstico.


Eu também estava passando pela minha batalha, mas na minha cabeça nem se comparava a dele, e eu tinha ainda mais medo de pensar no futuro, pensar em como a vida é efêmera e passageira. Como tudo pode mudar da noite para o dia.


Eu sequer cogitei em contar para algum deles o que eu estava passando na época, porque na minha cabeça eles já estavam passando por tanta coisa, e só muitos meses depois de ter contato para a minha família de sangue, eu tive coragem de contar para a Maninha sobre a EM.


O João precisou passar por várias cirurgias e tomou medicamentos bastantes fortes, mas ainda assim... após um ano de batalha, ele partiu para a Glória do Senhor.


Infelizmente, uma das minhas maiores tristezas é não ter conseguido ir vê-lo pessoalmente antes de partir, mas a Maninha fez um gesto tão lindo para mim que nunca eu irei esquecer. Ela ligou de chamada de vídeo um dia no hospital quando estava com o João, e nós conversamos um pouco e pudemos nos despedir.


Eu consegui pelo menos falar o quanto ele foi importante para mim, e que eu o amava como meu irmão. Porque não confundam, nunca existiu em nenhum momento entre nós um relacionamento amoroso, nós nos amávamos como irmãos de coração.


E hoje dia 14/07/2025 ele estaria completando 33 anos, e eu ainda oro a Deus para que ele esteja bem, que esteja descansando da batalha terrena, e cuidando da nossa Samilla.


Essa é uma pequena homenagem que eu presto para essa família e especialmente para esse irmão que Deus me deu. Que foi meu primeiro melhor amigo, e eu carrego no coração para sempre.


Meus queridos leitores, valorizem e aproveitem seus amigos e suas famílias, de sangue ou não, porque a gente não sabe o dia de amanhã.


Fiquem em paz e fiquem bem. E João, feliz aniversário meu querido.






 
 
 

Comentários


bottom of page