A família em choque...
- Milena G. L. Tagami
- 1 de jun. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 10 de jun. de 2025
Oi, amigos! No último post, mencionei que, após o início do meu tratamento, seria hora de contar para a minha família.
Antes de mais nada, eu peço desculpas desde já, pois este post ficou um pouco mais longo do que os anteriores. É que, agora que estamos ficando mais íntimos, gostaria de compartilhar um pouco mais a respeito da minha origem.
Eu nasci em Cassilândia -MS, em 28 de fevereiro de 1993. Meus pais, Nilza e Genevaldo, casaram-se cedo, sendo que minha mãe tinha apenas 18 anos.
Eu amava meus pais e nossa família, mas eles não se davam muito bem um com o outro, e tenho poucas lembranças de momentos felizes juntos. Como costumo dizer nas ações de divórcio que proponho, eles tinham, digamos assim, "incompatibilidade de gênios".
Então, quando eu ia completar 04 anos de idade, minha mãe decidiu que era hora que findar o relacionamento deles, enquanto marido e mulher, e pediu o divórcio. Assim meu pai saiu de casa, e ficamos só nós duas.
Apesar disso, ele sempre fez parte da minha vida da melhor forma possível. Nos víamos todo final de semana, e, durante as férias, eu ficava metade do tempo com ele e a outra metade com a mamãe.
Passado um tempo, ele formou uma nova família com a sua segunda esposa, mas ainda mantivemos sempre um bom relacionamento.
Como mencionei anteriormente, minha mãezinha faleceu quando eu tinha 15 anos. Naquela época, meu pai não morava mais em Cassilândia, pois era funcionário público e tinha sido transferido para outra cidade. Por isso, optei por morar com minha avó, mãe da minha mãe.
Durante o período em que morei com ela, fui muito bem cuidada e acolhida por todos os meus familiares: minhas tias Neila e Neide, meus primos Fabrícia, Daniela, Murilo e Mirela, e especialmente pela minha tia Cleide, que é a irmã mais velha da minha mãe.
Ela, que também é minha madrinha, sempre cuidou de mim como sua filhinha do coração. E em conjunto com o meu padrinho Zezinho, esposo dela, sempre tiveram muito cuidado e preocupação comigo.
Quando descobri o meu diagnóstico de EM, fiquei com um receio muito grande de como seria a reação dos meus familiares. Até mesmo porque, ela não é uma doença muito conhecida, e ainda muita desinformação a respeito, o que tornava tudo ainda mais delicado.
Assim, contei primeiro para o meu pai, e ele tomou um susto muito grande. Hoje mais cedo, eu perguntei a ele como se sentiu quando eu falei a respeito, ele me disse com lágrimas nos olhos que é um sentimento inexplicável de dor e angústia.
Ele achava que iria me perder para sempre, que na cabeça dele tinha sido quase como uma sentença de morte.
Já para os meus familiares do lado da minha mãe, além da Fabrícia e do Diego que já sabiam de tudo, eu queria contar primeiro para a Tia Cleide, porque ela sempre foi a porta-voz da família, e eu sabia que, se contasse para ela, ela conseguiria comunicar aos demais o que estava acontecendo.
Hoje cedo, ela me ligou, e eu também perguntei como ela se sentiu no dia em que revelei o diagnóstico. Assim como meu pai, ela achou que seria uma sentença definitiva. Que eu, tão jovem, com tanta coisa para viver, teria que passar por uma doença que não tem cura, e que talvez não sairia dessa.
Apesar do choque ao perceber a profundidade dos sentimentos deles, fiquei feliz por terem respeitado o meu tempo e por não terem me julgado ou brigado comigo por eu não ter contado antes.
Me recordo que, à época, eu expliquei a respeito da doença e que apesar de não ter cura, tinha tratamento, sendo que com isto somado a algumas mudanças nos hábitos quotidianos, eu teria uma vida mais próxima do normal possível. Que não era o fim, e que eu ficaria bem.
Entretanto, depois das conversas que tive com o meu pai e a minha tia hoje cedo, me pego pensando não só em nós, pacientes, mas também nos nossos familiares, que lutam junto contra essa doença. Que vão aos médicos, fazem exames de rotina, acompanham o desenrolar do tratamento, que pedem em oração pela nossa melhora e bem-estar.
Aqueles que muitas vezes choram sozinhos, por não querer demonstrar fraqueza para os seus entes queridos, que têm que passar por tudo aquilo na pele.
No meu caso, mesmo que não estejam perto, eu sei que eles oraram e oram muito por mim, para que eu fique bem. Que eu siga no meu tratamento sem percalços muito dolorosos, para que eu possa ter qualidade de vida e alcançar meus sonhos e objetivos.
Por isso, sou infinitamente grata a eles, mas principalmente a Deus, por ter me dado uma família tão preciosa.
Digamos que a vida não é fácil, e a jornada do paciente com EM é um pouco mais conturbada. Por isto, ter o máximo de pessoas que te apoiam ao seu lado facilita muito o desenrolar do tratamento.
Então, em 2021, quando iniciei meu tratamento, já tinha algumas sequelas físicas, resultantes das crises da doença, as quais vão gerar algumas consequências na minha qualidade de vida. Mas, como já me estendi muito por hoje, vocês sabem, né? Vejo vocês em breve para mais relatos da minha vida com EM.
Até lá, um beijo no coração de cada um.



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