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A surpresa nada bem-vinda...

Oi, amigos, voltei! Não sei se os leitores deste blog perceberam, mas os primeiros acontecimentos que levaram à minha descoberta da EM ocorreram em 2019. E, como todos sabem, no ano seguinte, o mundo foi tomado por uma pandemia de escala global, a COVID-19.

 

Por acaso vocês lembram o que estavam fazendo naquela época de pré-pandemia? Porque eu nunca vou me esquecer.

 

Lembro que, em fevereiro de 2020, seguindo os conselhos do Dr. Rodrigo, comecei a desacelerar um pouco as correrias da vida, mudando alguns hábitos, como sair do sedentarismo, voltar à academia, fazer terapia, mudar um pouco a alimentação, entre outras coisas.

 

Além disso, o Keid e eu já estávamos noivos, discutindo as datas e os preparativos para nossa celebração. Também decidimos nos mudar de apartamento, jamais imaginando que toda a nossa vida mudaria tão rápido, de tantas formas. Visto que, em meados de março de 2020, houve o lockdown.

 

Ficamos todos confinados em nossas casas, a princípio achando que seriam poucos meses, mas, como sabemos, não foi bem assim, não é mesmo?

 

Quando houve o fechamento de tudo, só podíamos fazer atividades ao ar livre, já que até as academias haviam fechado. Além do confinamento, o vírus se espalhava cada vez mais, e havia casos de COVID-19 por todo o país.

 

Graças ao nosso bom Deus, o Keid e eu pudemos ficar em home office, sem correr riscos e sem perder totalmente os ganhos para o sustento da casa.

 

Então, para não perder o ritmo de fazer atividades físicas e para aliviar um pouco a pressão de ficarmos presos dentro de casa, nós caminhávamos todos os dias, cerca de 4 a 6 km durante a semana, e uns 10 km aos finais de semana. Isso acontecia em uma avenida próxima de casa, onde havia uma pista de caminhada.

 

Essa rotina durou várias semanas, acho que alguns meses, na verdade. No entanto, em meados de agosto de 2020, comecei a tropeçar ao voltar das nossas caminhadas.

 

Mas não era um tropeçar normal; era como se a minha perna esquerda, do nada, perdesse força. Recordo que pisava em falso de tal maneira que, inclusive, houve ocasiões em que cheguei a cair no canto da rua.

 

Além disso, em casa, notei que comecei a perder os movimentos finos da mão esquerda, principalmente ao lavar louça, chegando até mesmo a quebrar vários utensílios. Também, quando estava trabalhando, percebi que não conseguia digitar direito com a mão esquerda; ela sempre falhava.

 

Então, como se a voz do Dr. Rodrigo soprasse no meu ouvido, senti minha intuição dizendo: "Vá investigar".

 

Com isso em mente, marquei novamente uma consulta com ele, na qual refizemos os exames anteriores, e ele acrescentou alguns que eu ainda não tinha feito, como o exame do líquor (que se realiza com uma punção lombar).

 

Quando voltei com os exames desta vez, o Dr. Rodrigo os examinou e, imediatamente, me disse que não poderia me dar um diagnóstico definitivo, que seria melhor falar diretamente com um médico especialista. Nesse momento, ele me deu dois nomes e o endereço do local onde eles atendiam.

 

Naquele instante, ficou claro no meu coração que se tratava de algo muito mais sério do que eu queria acreditar, mas ainda não tinha ideia do que era. Ao mesmo tempo que eu queria muito saber, tinha medo de procurar e acabar descobrindo o que realmente era.

 

Sabemos que o Google muitas vezes assusta mais do que ajuda nesses casos de diagnóstico. E como já estava bastante assustada, preferia uma resposta concreta e correta, de um especialista sobre o que estava acontecendo comigo, visto que nem mesmo o neurologista que me atendeu no início quis me dar um diagnóstico.

 

Novamente, em meu desespero, orei a Deus para que pudesse me dar um novo livramento. Orei para que, independentemente da doença, ela não me levasse à morte ou a uma incapacidade total — eu tinha apenas 27 anos. Pensei em tudo que ainda tinha pela frente para viver, implorando pela Misericórdia divina.

 

Como a clínica dos médicos especialistas ficava ao lado do HB, onde o Dr. Rodrigo atendia, fui a pé até lá para marcar a consulta.

 

Ele tinha recomendado dois médicos, mas eu fiquei mais com o nome do Dr. Waldir em mente. Então, chegando à clínica, fui logo perguntando por ele, e a recepcionista me informou que havia dois médicos com esse nome, sendo um pai e o outro filho.

 

O Dr. Rodrigo já tinha me avisado sobre isso e falou que o médico especialista era o filho. Por isso, deixei claro para a secretária que a consulta deveria ser com ele. No entanto, ela se confundiu e agendou com o Dr. Waldir “pai”.

 

No dia da consulta, quando dei meu nome e disse que queria passar com o filho, a secretária informou que a consulta estava marcada com o pai... e eu fiquei simplesmente sem chão. Não queria esperar mais, pois já era dezembro de 2020.

 

Assim, decidi passar com ele mesmo, para pelo menos conversarmos a respeito e ver o que ele dizia, mas também deixei agendado com o filho, que, por sorte, seria dali a uma semana.

 

Quando entrei no consultório do Dr. Waldir “pai”, expliquei a confusão da secretária e disse que meu neurologista, Dr. Rodrigo, tinha pedido para passar com um especialista para obter o diagnóstico do que estava acontecendo comigo. Apesar da confusão, como já estava ali, gostaria de falar com ele também.

 

Ele analisou brevemente meus exames enquanto ouvia toda a história que me trouxe até ali. Olhou no fundo dos meus olhos e disse: "Ah, realmente, não vai ser comigo, não. Meu filho é o especialista em Esclerose Múltipla."

 

E, sim, amigos, foi dessa forma, totalmente casual e despretensiosa, que recebi o meu diagnóstico de EM.





 
 
 

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