As primeiras fases do luto...
- Milena G. L. Tagami
- 25 de mai. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 30 de mai. de 2025
Oi, amigos! Espero que estejam bem. Após o meu brusco diagnóstico, entrei em choque. Quando cheguei em casa naquele dia e contei ao Keid o que o médico me dissera, fiquei desolada, perdida, sem ideia de como seguir adiante.
Eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo; muito menos desejava pesquisar quais seriam os próximos passos.
Hoje percebo que, na verdade, estava vivendo a primeira fase do luto: a Negação. Porque sim, podemos vivenciar um luto sem ter necessariamente perdido alguém. No meu caso, na minha cabeça, havia perdido algo: minha saúde e minha qualidade de vida.
O medo tomou conta do meu coração, pois o pouco contato que tive com a doença, até então, só de ouvir falar, era assustador.
Pensei no meu relacionamento com o meu noivo. Não queria ser um "fardo" para ninguém, principalmente para ele. Dependendo da situação, tudo poderia terminar ali mesmo. Pensei que muitas coisas da minha vida poderiam acabar, como os sonhos de ter uma família, de viajar pelo mundo, de andar livremente. Foi nesse momento que entrei na segunda fase do luto: a Raiva.
Em um primeiro momento, questionei a Deus o porquê de tudo aquilo. Queria entender qual a necessidade de eu passar por aquele deserto. Já havia perdido minha mãe aos 15 anos, o que foi muito difícil, e agora também perdia minha nova família e minha saúde.
No entanto, ao contrário de mim, o Keid foi a pessoa que pesquisou tudo sobre a doença, sobre como seria o meu tratamento, sempre pensando positivamente. Ele me deu forças e me disse que tudo ficaria bem, que eu não precisava me desesperar. Ele foi minha luz naquela escuridão. E foi nesse momento que tive a certeza de que queria passar o resto da minha vida com ele, porque nunca o amei tanto.
Novamente, falei com o meu primo Diego e, desta vez, também conversei com a minha prima Fabrícia que é biomédica. Ela é como uma irmã para mim. E além da confiança que eu tenho neles, tinha consciência que poderiam me ajudar a entender melhor a doença, principalmente por serem profissionais da área da saúde. Além disso, me acolheram com muito amor e reforçaram as palavras do Keid, de que tudo ficaria bem.
Foram as primeiras pessoas da minha família com quem tive coragem compartilhar tudo que estava acontecendo. Pedi extremo sigilo a eles, assim como ao Keid. Precisava primeiro assimilar tudo o que estava acontecendo comigo, para só depois compartilhar com os outros.
Depois, fui à minha consulta com o Dr. Waldir “filho”, levando todos os exames feitos até então. Ele analisou tudo e realizou alguns testes físicos e motores. Expliquei que tinha conversado com o pai dele na semana anterior, e ele confirmou o diagnóstico de Esclerose Múltipla.
Nesse momento, ele me explicou que Esclerose Múltipla é uma doença crônica, autoimune, desmielinizante e inflamatória, que afeta o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). Ou seja, o meu próprio organismo (o sistema imunológico) ataca a bainha de mielina que recobre os neurônios, que funciona como uma capa de um fio elétrico. Quando essa bainha é danificada, ocorre um prejuízo na função neural, onde as informações necessárias às partes do corpo deixam de passar corretamente.
É como se houvesse uma pane no meu sistema nervoso central, devido ao ataque do meu sistema imunológico, e as funções neurais que levam as informações para o funcionamento do meu corpo não conseguissem transmitir esses comandos.
No meu caso, por exemplo, houve uma lesão na área que envia informações para o lado esquerdo do rosto, onde houve a paralisia facial, após houve a crise onde houve a lesão na área que envia comandos para movimento da perna e do braço esquerdo. Por causa dessa falta de comunicação, eles não "compreendem" que precisam fazer os movimentos completos, e por isso falham.
Ele falou que era uma doença que, até o momento, não tinha cura, mas que havia tratamento com imunossupressores. No meu caso, como o diagnóstico foi feito bem no início, ainda não havia muitas lesões, e por isso, já iria solicitar o medicamento pela Farmácia de Alto Custo do município onde resido (São José do Rio Preto - SP), para começarmos o tratamento o quanto antes.
Com a confirmação oficial do Dr. Waldir "filho", iniciei a minha terceira fase do luto, que é: a Negociação.
Entendendo que não tinha como fugir do diagnóstico, já que quatro médicos, incluindo meu primo Diego, tinham me confirmado que seria EM, em uma nova conversa com Deus, primeiramente agradeci por Ele ter me ajudado a descobrir tudo tão cedo e por ter me proporcionado iniciar o tratamento rapidamente. Não queria mais sentir raiva por isso. Queria novamente tentar ver o lado bom das coisas, o copo meio cheio.
A partir daí minhas orações passaram a ser voltadas ao tratamento, para que eu não tivesse mais crises ou sequelas, e, se possível, que um dia Ele ajudasse os pesquisadores a encontrar uma cura para a doença, porque eu sei que, para Deus, nada é impossível.
Apesar de tentar manter o pensamento positivo, pois conseguiria o medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a espera pela liberação foi muito angustiante, durando cerca de cinco meses, para que finalmente pudesse iniciar o tratamento.
Mas, para não me alongar muito, essa história eu conto com mais detalhes no próximo post.



Comentários