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As sequelas e suas consequências...

Oi, amigos! Como mencionei anteriormente, quando iniciei o meu tratamento para a EM, já apresentava algumas sequelas devido às crises anteriores, sendo que perdi a força na perna e no braço esquerdos.

 

Como a EM é uma doença considerada inflamatória, as lesões, se não cuidadas desde o início do surto com medicamentos como corticoides, podem gerar cicatrizes definitivas no neurônio atingido, o que impossibilita ou dificulta bastante a passagem de informações para o órgão ou membro afetado.

 

Para evitar esse tipo de cicatriz, geralmente, quando há um surto que dura mais de 24 horas e a doença está ativa, é altamente recomendado procurar o neurologista responsável pelo tratamento, que irá encaminhar para um procedimento chamado pulsoterapia.

 

Esse procedimento é realizado em hospital, por via endovenosa, e administra altas doses de corticoide em intervalos curtos, o que aumenta a produção de insulina, estimulando o organismo a se preparar para combater a agressão.

 

No meu caso, e de muitos outros pacientes, como descobri a respeito da lesão mais tarde, não foi possível fazer pulsoterapia para evitar as sequelas.

 

No período pós-diagnóstico, não consegui manter uma rotina de exercícios como antes, pois não podia caminhar por longas distâncias sem tropeçar; inclusive, cheguei a cair da escada do condomínio onde morávamos.

 

Como ainda estávamos na pandemia, as academias demoraram um pouco para abrir normalmente, onde também acabei perdendo o ritmo de ir todos os dias.

 

Eu sabia que, para que pudesse ter uma qualidade de vida, seria necessário mudanças também na minha rotina, como, por exemplo, fazer exercícios que fortalecessem minha perna esquerda, bem como a perna direita, que acabava "compensando" o peso do meu corpo, para me manter andando normalmente.

 

No entanto, apesar da necessidade, eu nunca fui uma pessoa que gostasse muito de academia, e foi bastante difícil manter uma rotina de exercícios para reforço muscular. Por isso, acredito que, passado o tempo, isso acabou levando a uma lesão no joelho da minha perna direita, causando um desgaste nele.

 

Lembro que sentia muita dor todos os dias. Na época da lesão, já estávamos em 2022, e eu trabalhava em outro escritório como advogada associada. É importante destacar que, apesar do diagnóstico, nunca deixei de trabalhar.

 

Até então, o tratamento para a EM estava sendo eficaz, e eu não tive mais crises da doença, mas as sequelas continuavam incomodando.

 

Durante esse período da pandemia, acabei ganhando bastante peso, chegando a 97 kg. Para você ter uma ideia, tenho 1,70 m de altura.

 

Então, meu peso, somado à fragilidade da minha perna esquerda, gerou uma sobrecarga na perna direita, que levou à lesão. Chegando a um ponto de dor que me obrigou a procurar um ortopedista, o Dr. Gunther.

 

Na consulta, ele primeiramente solicitou alguns exames para averiguar o local da dor. Quando voltei para apresentar os resultados, ele detectou a lesão no joelho direito e explicou que era comum mulheres da minha idade terem esse tipo de desgaste.

 

Eu contei a ele que sou paciente com Esclerose Múltipla e falei sobre a crise e a sequela. Ele me informou que, no meu caso, muito provavelmente a lesão foi ocasionada pela fragilidade da perna esquerda, que gerou sobrecarga na perna direita.

 

Disse que, para o meu caso, era bom tomar colágeno e que seria extremamente importante fazer alguns exercícios específicos para fortalecer os membros inferiores. Ele então fez uma lista dos exercícios recomendados e pediu para eu levar essa lista ao professor da academia. Além disso, recomendou que eu fizesse fisioterapia também.

 

Após a consulta, segui as orientações dele, pedi ao profissional da academia que montasse um treino com base nos exercícios recomendados pelo médico, e fiz o treino sozinha, pois não tinha condições de pagar um personal trainer.

 

Além disso, procurei uma fisioterapeuta pelo meu plano de saúde que fosse mais focada em exercícios físicos para fortalecimento, e entreguei a ela a mesma listinha que o Dr. Gunther me deu. Lembro que ele falou que não era para eu fazer apenas o "choquinho" na fisioterapia, pois isso não ajudaria no meu caso, e que era para fazer os exercícios mesmo.

 

Assim, começou uma nova fase na minha vida: a de fortalecimento das pernas, para tentar lidar com a dor e também evitar futuras quedas, além de reduzir a necessidade de usar uma bengala ou algo do tipo num futuro próximo.

 

Nesta época, eu pensava bastante que também precisava melhorar minha alimentação, mas estava tão ansiosa com os tratamentos de fortalecimento e acreditava que, fazendo os exercícios físicos corretamente, isso já seria suficiente e me ajudaria a emagrecer.

 

Na minha cabeça, eu já precisava tomar muitos cuidados, fazer suplementação de vitaminas como D, B12 e ômega 3, e colágeno, e como sempre tive um relacionamento muito emocional com a comida, não queria abrir mão disso também, especialmente naquele momento de tantas mudanças. Então, arquivei essa ideia e segui focada nos exercícios.

 

Isso se estendeu por vários meses, até que, em novembro de 2022, tive uma nova crise de EM.

 

Sobre essa nova crise, vocês já sabem, né? Na próxima, conto mais a respeito. Beijos de luz.


 
 
 

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