Tudo tem um começo...
- Milena G. L. Tagami
- 14 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Oi, amigos! Meu nome é Milena, tenho 32 anos e criei este blog para compartilhar minha história e experiência com o diagnóstico de Esclerose Múltipla.
A intensão é compartilhar semanalmente desde a primeira crise da doença até como está sendo atualmente o meu tratamento.
Sempre gostei de contar histórias e, após alguns anos refletindo e orando, decidi que era hora de compartilhar uma parte da minha. Então espero que gostem e aproveitem essa nova jornada junto comigo.
Tudo começou em meados de julho de 2019, quando eu era apenas uma jovem advogada tentando sobreviver neste mundão. Naquela época, morava com meu então namorado Keid, que hoje é meu amado esposo, e fazia pouco mais de um ano que tinha passado na OAB.
Trabalhava como advogada associada em um escritório de advocacia e também realizava meus trabalhos particulares, pois, desde sempre, precisei me virar para conquistar meu dinheirinho suado.
Não sei se as pessoas que não são advogadas têm noção do quão estressante e desgastante psicologicamente essa profissão pode ser.
Como costumo dizer aos meus amigos, basicamente, é uma profissão na qual sou paga para resolver os problemas das outras pessoas. E, na maioria das vezes, esses problemas não são simples ou fáceis de resolver; pelo contrário, costumam ser bastante complexos.
Eu estava super ocupada com o trabalho, fazendo muitas atividades fora do escritório, e ainda cuidava de alguns clientes mensalistas que exigiam mais atenção. Mas não posso negar que Deus sempre foi muito bom comigo, colocando pessoas muito boas na minha vida para me ajudar a melhorar a cada dia.
No escritório, tive muita ajuda, como do meu chefinho, Dr. Diorges, da esposa dele, Alessandra, nossa estagiária na época, e do outro advogado associado, Dr. Guilherme, ou como eu o chamava, Guizinho.
Como o espaço era compartilhado com outros advogados, fiz amizade com a Dra. Livia, para mim, Livinha, e com a secretária Monica, a Moniquinha, sendo que quase todos os dias, a gente almoçava juntas no escritório.
Em um desses dias, na hora do almoço, uma delas, a Livinha, olhou para mim por um tempo e comentou que eu estava estranha, diferente. Eu perguntei o que ela queria dizer, mas ela não soube explicar exatamente.
Achei isso muito curioso, porque, na verdade, naquele dia eu realmente me sentia estranha, mas não conseguia identificar bem o que era. Se bem me lembro, era uma sensação de formigamento do lado esquerdo do rosto, e quando eu mastigava a comida, parecia que eu ficava mordendo a bochecha o tempo todo.
Com essa sensação e o alerta da Livinha na cabeça, mais tarde, no mesmo dia, o Gui e eu fomos fazer uma diligência fora do escritório. Não me recordo exatamente do que era, mas lembro que o formigamento não tinha passado, e meu olho esquerdo também parecia seco, como se eu não conseguisse piscar direito.
Após finalizarmos nossa diligência, o Gui e eu passamos em uma loja de Açaí, onde eu perguntei a ele se via algo de errado ou diferente comigo. Depois de uma breve análise no meu rosto, ele disse: "Sim, Mi, seu lado esquerdo do rosto está paralisado. Aconteceu com a minha mãe um tempo atrás."
Fiquei um pouco preocupada, e quando voltamos para o escritório, fui direto ao banheiro, me olhei no espelho e percebi que realmente estava lá: uma paralisia leve, com a boca caída e o olho que nem piscava direito, como se estivesse congelado.
Apesar disso, achei que fosse apenas devido ao estresse que eu vinha passando, por causa da carga de trabalho dos últimos meses. Não imaginei que fosse algo grave, até porque a paralisia era leve, quase imperceptível, e não tinha mais nenhum outro sintoma no corpo. Então pensei: "Ah, depois do trabalho eu vou para a emergência. Dá para esperar."
No entanto, ao voltar para a nossa sala, encontrei a Alessandra e contei o que estava acontecendo, dizendo que iria ao hospital depois do expediente. Nesse momento, ela olhou bem fundo nos meus olhos, com seriedade e urgência, e disse: "Mi, é melhor você parar o que está fazendo agora e ir logo na emergência. Pode ser algo muito sério."
Fiquei assustada com aquilo, mas, por minha teimosia, não fui imediatamente. Precisou da insistência dela e do Gui para que eu fosse ao hospital, e assim fiz.
Chegando lá, fui atendida por uma médica muito atenciosa. Fizemos alguns exames, como tomografia e raio-X, e ela me medicou com um corticoide na veia, além de passar alguns remédios para herpes zoster. Ela também me indicou um neurologista e alertou que era imprescindível investigar melhor o que estava acontecendo comigo.
No dia seguinte, já agendei uma consulta com o neurologista indicado por ela, e ali começou minha saga para entender o que realmente estava acontecendo e qual seria o diagnóstico.



Eu tenho 28 anos, e fui diagnosticada em abril. Mais especificamente, no meu aniversário 19/04. Fiquei internada para tratar meu primeiro surto (que eu tenha percebido), que foi a perca de visão no olho esquerdo. Sou publicitária, trabalho com social media e assessoria de influenciadores. Durante muitos anos aprendi a normalizar burnout e achar que todo desgaste fazia parte do processo para ser alguém na vida. Depois de ficar uma semana no hospital, depois de alguns dias fiz a minha primeira infusão. Hoje percebo que no susto da internação, eu só pensava em ter uma vida calma, digna e feliz. Hoje percebo também que nosso corpo fala por puro desespero. Não é justo não escuta-lo.
Adorei seu texto. Parabéns pela…
Quero ler mais🤭😅
Foi muito parecido com meus primeiros sintomas, até que fui alertada novamente a puxar o freio de mão🙄pois a correria e estresse ajuda a desencadear e acordar muita coisa que nosso CORPO iria resolver se estivesse tudo bem, porém ele nós da alertas......